Sentar para Meditar: uma prática crescente entre crianças.

Sentar para Meditar: uma prática crescente entre crianças.

por Karen van Mierlo de Souza

(Pedagoga e pós-graduanda em Neurociência Aplicada à Educação)

Quem já não ouviu falar em meditação? Uma prática milenar oriental que há alguns anos vem conquistando adultos no ocidente em busca de paz na mente, mais energia, alegria, relacionamentos positivos e satisfação na vida?

Não apenas adultos vêm se beneficiando das experiências meditativas, mas muitos são os grupos que atualmente tem levado a prática até as crianças. Entre eles, se destaca uma escola de Baltimore nos Estados Unidos, que resolveu substituir o “time out” (deixar a criança de castigo pensando em seus atos num canto fixo) por uma forma mais efetiva e contínua em que as crianças aprendem a meditar.

No Brasil a prática entre crianças também vem crescendo e já conseguimos encontrar grupos infantis de meditação em Curitiba, São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro e outros. Professores vêm aderindo a prática de parar com seus alunos por alguns minutos entre as aulas, bem como pais, a exemplo de seus filhos, estão se propondo a sentar para meditar.

Ensinar crianças a focar em sua respiração e no momento presente vai muito além de apenas conduzi-las a interpretar as consequências de seus atos em seu próprio sistema emocional, a prática, também proporciona às crianças a oportunidade de evitar situações que geram raiva, ansiedade e violência.

Em uma entrevista fornecida à revista Neuroeducação de novembro de 2015 a coordenadora pedagógica do centro, Glenir Monte, ao relatar sobre os resultados adquiridos com as crianças na meditação, disse: “Elas ficaram mais criativas, melhoraram na escola. A meditação tem afetado de forma muito positiva o processo pedagógico da criança”.

Recentemente, inúmeros são os estudos científicos comprovando os benefícios da meditação para adultos. A revista Neuroimage publicou uma pesquisa brasileira sugerindo que a meditação é capaz de melhorar o desempenho cerebral, especialmente em tarefas que exigem concentração. A psicobióloga Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein relata: “O cérebro de pessoas que meditam recruta menos áreas cerebrais para realizar uma determinada tarefa, como se fizesse uma maior ‘economia’, o que se traduz em mais foco e concentração. Um desafio no mundo cheio de estímulos em que vivemos”.

Os benefícios da prática para crianças também têm sido, nos últimos tempos, alvo de estudos científicos, porém quem pratica garante hábitos mais saudáveis, melhora cognitiva escolar, redução da ansiedade, desenvolvimento do autoconhecimento, aumento da empatia e redução do bullying.

Quando esteve no Brasil para lançar seu livro Em Águas Profundas e falar da Fundação David Lynch, que estimula a meditação para diminuir a violência em escolas americanas, o cineasta americano David Lynch falou à editora Abril que: “Diversas escolas nos EUA têm casos graves de violência e desordem. Alguns diretores que queriam reverter esse quadro ouviram falar de histórias positivas sobre a meditação transcendental e decidiram implementá-la nas salas de aula. Alunos e professores receberam durante um ano a meditação e tudo mudou: os alunos ficaram mais seguros de si, a violência caiu, as notas aumentaram, as crianças passaram a se concentrar mais. Então, decidi criar há três anos Fundação David Lynch para apoiar a prática.”

Na mesma oportunidade contou sobre sua própria experiência “Faço meditação há 35 anos, duas vezes ao dia, e posso dizer que todas as avenidas da vida melhoram, o estresse e a ansiedade vão embora. Todos os nossos sentidos sempre estão voltados para fora e nos acostumamos a procurar a felicidade fora. O mantra faz com que a consciência volte para dentro, onde há paz e um estado de felicidade pleno”.

Já em Florianópolis a professora Rosangela Martins dos Santos que dedica cinco minutos de sua aula à meditação pela paz, disse: “Os resultados já são perceptíveis: Há muito tempo eu não sei o que é levantar a voz para resolver conflitos”.

Seja em casa, na escola ou em qualquer grupo social o sentar para meditar têm se mostrado uma excelente prática para adultos, bem como para crianças que na atualidade se deparam com altas demandas de desempenho, sucesso e competição, num mundo de multitarefas.


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